Friday, April 07, 2006

Maracujá ali?

E Renan tinha era que dar um jeito naqueles maracujás que continuavam a crescer nos banheiros. Aquilo não tinha cabimento. Mas cortou, um a um, e guardou todos na cesta. Tirou os ramos que se espalharam e quase saíram pelas janelas dos banheiros, os colocou em um saco escuro de lixo. Pronto, tudo parecia limpo. Mas, o que ia fazer com aquelas frutas? Se levasse para a cozinha, o que diria aos cozinheiros? Que colheu no banheiro? Que comprou na feira? Mas, com que dinheiro? Ele era o faxineiro, ele não comprava nada. Bom, podia levar aquilo tudo de fruta pra casa. Mas onde ia guardar aquilo? Podia fazer suco, mousse, bolo, dar maracujá pras vizinhas, bom, podia dar uma boa quantidade para aquela vizinha bonita, que chegou do Ceará dias desses e sempre o cumprimenta com um sorriso. Era isso, ia oferecer um monte de maracujá para ela, com pretexto para puxar conversa. E aí ela podia fazer doce, mousse, bolo e oferecer pra ele. E ele iria à casa dela, saberia se ela está trabalhando ou não, se deixou alguém no Ceará, se já tem alguém aqui, ou se o alguém dela aqui poderia ser ele... Ah, deixa aqueles cozinheiros frescos comprarem o maracujá na feira, no ceasa, em qualquer lugar. Aqueles que ele tinha pego já eram dele.
Mas, e quando perguntassem de onde ele pegou? Não ia dar pra dizer a verdade. O povo ia dizer que ele tava doido. Talvez de tanto trabalhar. Podia até ser. Aliás, nem ele podia pensar muito sobre aquela situação ridícula: uma tesoura, um cesto, um saco de lixo. Mas tudo isso num banheiro, por conta de um vaso roxo. Será que aqueles maracujás fariam mal? Ou será que eles fariam bem? Eles fariam a Jucilene, a vizinha do Ceará, olhar pra ele como quem olha um príncipe?

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